sexta-feira, 28 de abril de 2017

A EXPANSÃO TERRITORIAL: CAMINHOS DE UM "MUNDO NOVO"

     

    A IMPORTÂNCIA DE CACHOEIRA PARA A ECONOMIA BAIANA

    Entre os séculos XVII e XIX, a cidade de Cachoeira exerceu um papel muito importante na economia baiana, atuando como entreposto comercial, fazendo ligação entre as regiões situadas entre o Sertão e a cidade de Salvador. Dali partia e chegavam mercadorias tanto para Salvador como para os povoados situados mais a oeste do Recôncavo. Quase toda a produção agrícola e animal que provinha do Sertão e de outras regiões próximas tendo como destino à capital baiana passava por cachoeira, uma vez que, a forma mais rápida de transportar essas mercadorias era por vias fluviais e marítimas.

   À medida que a produção da cana-de-açúcar ia crescendo, provocando consequentemente o aumento populacional do Recôncavo e da Bahia, crescia também a demanda de gado, peça essencial para a sobrevivência da colônia e para o acúmulo dos lucros da Coroa. O gado era criado de forma extensiva, porém, as sesmarias que foram doadas inicialmente, se viam pequenas diante do tamanho das criações, por isso, a necessidade da expansão territorial. 

    EXPANSÃO TERRITORIAL: A CASA DA PONTE EM MORRO DO CHAPÉU

    Em 1675, o segundo Francisco Dias D’Ávila chegou as terras do atual município de Juazeiro, ao chegar as margens do rio Salitre não conseguiu prosseguir viagem por conta das lutas entre os índios guaisquais e galaches. Então decidiu reunir um grupo e travou batalha contra os indígenas contando com a participação de Antônio Guedes de Brito (Casa da Ponte) que ajudou financeiramente e com provisões aos participantes da batalha. Em retribuição pelos serviços prestados, recebeu terras as margens do rio São Francisco que iniciava em Morro do Chapéu indo até a nascente do rio das Velhas, em minas Gerais. 

    As primeiras explorações no território do município de Morro do Chapéu foram realizadas pelos Jesuítas, que foram trazidos à Bahia em 1549 por Tomé de Souza, no intuito de catequizar os índios. No entanto, no sertão da Bahia e ao longo do São Francisco, a Companhia de Jesus encontrou dificuldade maior do que no Sul da Colônia, pois as terras próximas da Bahia já tinham sido doadas ou já eram cobiçadas pelos fidalgos, principalmente entre a Casa da Torre e a Casa da Ponte, no intuito de expandir suas criações de gado ou para a exploração das minas daquela região.


    CONFLITOS ENTRE OS JESUÍTAS E OS MORGADOS DA PONTE E DA TORRE     

    O extenso Sertão baiano se encontrava quase todo em mãos de duas famílias, os D’Ávila (Casa da Torre) possuíam cerca de trezentos e quarenta léguas às margens do São Francisco e os Guedes de Brito (Casa da Ponte) com cerca de cento e sessenta léguas, entre o Morro do Chapéu, na Bahia, até as nascentes do Rio das Velhas, em Minas Gerais.

    O Morgado da Casa da Ponte foi detentor de grandes latifúndios no Brasil, ganhando terras entre as cabeceiras dos rios Piauhi (Sergipe), Itapicuru, Real, Inhambupe e Jacuípe. Com isso, grande parte do sertão da Bahia pertencia as essas duas principais famílias.

     Como já era de se esperar, a busca pela expansão territorial gerou diversos conflitos entre os dois Morgados. Contudo, depois de vários embates, resolvem-se amigavelmente em 1668, as desavenças entre a Casa da Torre e da Ponte. Acerta-se que a Casa da Torre ficaria com a parte Nordeste e a Casa da Ponte com a Parte Sul do São Francisco. Essa trégua que aparentemente acontece de forma amigável, foi na verdade, o receio das duas Casas em relação a um poderoso obstáculo comum, a Companhia de Jesus, que a muito vinha incomodando ambos Morgados.

    Os jesuítas recorreram a Coroa para que parte das terras do Sertão baiano fosse destinadas aos índios, as quais pudessem utilizar para sua subsistência. Porém, não somente as almas dos nativos interessavam os jesuítas, eles também utilizavam à força indígena em seus engenhos, currais e outros meios de produção. Assim sendo, os jesuítas construíam obstáculos para a escravização da mão-de-obra indígena, tornando-se então, inevitáveis os conflitos, tanto no Norte e Nordeste, quanto também no Sul da Colônia.



   REFERÊNCIAS:

   BENTO, Rômullo. História de Morro do Chapéu - Bahia. Disponível em: http://ifbainfohistoria.blogspot.com.br/2011/06/historia-de-morro-do-chapeu-bahia.html. Acesso em 21 de abril de 2017.

   DIAS, Gleidson Sena e OLIVEIRA, Gleidiane Guimarães. CACHOEIRA-BA: AÇÃO DO ESTADO NA REORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO URBANO. Tese, 2011. Disponível em: http://www.uesb.br/eventos/ebg/anais/2e.pdf. Acesso em 23 de abril de 2017.

   SANTANA, Danilo. Morgados do Interior: A casa da Torre de Garcia D’Ávila. Disponível em: https://historiadabahia2.wordpress.com/sobre/morgados-do-interior-a-casa-da-torre-de-garcia-davila/. Acesso em 21 de abril de 2017.

9 comentários:

  1. Otimo trabalho de duvulgacao de parte da nossa historia. Esse blog pode e deve ser utilizado como fonte de pesquisa. Ja tive oportunidade de visitar a cada da torre. Parabens!

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    1. Obrigada, essa é minha intenção. Que as pessoas possam conhecer mais sobre nossa história.

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  2. Excelente trabalho Ubirane,deve-se divulgar a relevância de Cachoeira para a construção da sociedade baiana e para mim foi uma boa leitura,pois Cachoeira não se resume apenas ao famoso licor!

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    1. Obrigada Sil, realmente cachoeira foi de suma importância para o surgimento e desenvolvimento de muitas cidades baianas.

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  3. Muito bom esse trabalho, parabéns. Não conheço essa cidade,a Bahia é muito grande e tem muitas histórias nessas cidades, histórias muito interessantes como esta. Estou encantada em ler, a história é a alma de um lugar

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  4. Ótimo trabalho,você fez uma bela pesquisa e nos levou a conhecer a história interessante desta cidade. Foi muito agradável ler o seu blog, parabéns!

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  5. Amei o blog! Parece que você se empenhou muito! Ficou visualmente bonito e harmônico! A história dessa cidade é linda, fiquei com mais vontade ainda de conhecer! Parabéns!

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  6. Que delícia de relato. Muito interessante. É perceptível como os poderosos militando por seus próprios interesses influenciaram nas avenidas e desavenças atuais.

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  7. Exatamente, é o passado nos ajudando a compreender o presente. Notamos também, como essa estratégia da elite ainda se mantém não é mesmo?

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