domingo, 16 de abril de 2017

COMO SURGIU MUNDO NOVO

Antes mesmo de se constituir como cidade, a região onde atualmente está situada Mundo Novo era uma grande sesmaria há muitos anos abandonada e que foi objeto de arrematação em praça pública, pelo Visconde de Itapicuru, na Vila de Nossa Senhora do Rosário de Porto de Cachoeira. Esta sesmaria, com cerca de cinquenta léguas quadradas, situava-se entre Orobó, Monte Alegre e Itaberaba. 

Fonte da imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_Novo_(Bahia)

No ano de 1933, o nordeste passava por um período de seca muito intensa, rebanhos foram dizimados pela falta de pastagens. Movidos pelo desespero, um grupo de sertanejos decidiu partir em busca de terras férteis. Este grupo liderado por José Carlos da Motta contava com alguns conterrâneos dentre eles seus amigos Joaquim José Assumpção e José Barbosa Cabrinha, além de um grupo de escravos.  
 Esses sertanejos eram na verdade bandeirantes, que penetraram os sertões ainda desconhecidos e chegaram a Monte Alegre; dali partiram em direção a Morro do Chapéu.


Fonte da imagem: http://www.mundonovoba.com.br/mundo-novo-antigo/

No curso da viagem, José Carlos da Motta, com sua pequena bandeira, estacionou no local hoje conhecido com o nome de Engenho, em 1833, impressionado com as matas e a farta vegetação nativa, com a qualidade do solo e os mananciais de água potável. Consta que o chefe da bandeira José Carlos da Motta, ao avistar as terras em que está situada a cidade e suas adjacências, do alto da Várzea Bonita, exclamou ″isto aqui é um Mundo Novo″. Foi, portanto, o pouso da bandeira de José Carlos a causa determinante da povoação do município.
O colonizador, satisfeito com a riqueza da terra descoberta, teve a ideia de a povoar, conseguindo a vinda de novos colonos, que construíram residências e ali se instalaram. Formou-se assim, em 10 de outubro de 1833, o povoado que, segundo Lima (1988, p.14) “Ali se formava o embrião de uma futura cidade: a nobre cidade de MUNDO NOVO.”



Fonte da imagem: http://www.agmarrios.com.br/2013/10/programacao-oficial-do-aniversario-da.html



REFERENCIAS:
BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Volume XXI – Rio de Janeiro.

LIMA, Dante de. Mundo novo: nossa terra, nossa gente. Documentário, edição especial. Contemp. Editora Ltda, Salvador, Ba, 1988.



Entrevista


Entrevista feita com morador local por meio de conversa pelo whatssap no dia 04 de junho de 2017 onde ele compartilha um pouco de suas memórias como cidadão mundonovense. Aqui ele nos revela suas impressões sobre a cidade onde nasceu e as mudanças que ele pôde observar enquanto personagem de parte da história da cidade de Mundo Novo.





Entrevistadora: Ubirane Silva

Entrevistado: Senhor X (83 anos)


Ubirane: O senhor já ouviu falar dos Guedes de Brito?

Senhor X: Só de nome, eu sei que tem essa família rica e que eles moram perto da praça.

Ubirane: O senhor é natural de Mundo Novo?

Senhor X: Sempre fui daqui, do Povoado do Cobé e minha esposa era do Andaraí.

Ubirane: Seus pais ou o senhor já moraram em Salvador? Se sim, por quê?

Senhor X: Não, nunca gostei de Salvador. Já morei em São Paulo depois que casei, fui morar lá por causa de uma grande seca que teve por aqui.

Ubirane: Fale um pouco sobre o que o senhor se lembra de Mundo Novo antigamente. Como era a cidade, o que tinha, o que mudou?

Senhor X: Era uma cidade considerada de fazendeiros, a maioria dos moradores era de fazendeiros. Mas a riqueza de hoje não é mais como era antigamente. O Mundo Novo que conheci antes não mudou muito, as casinhas que tinha antes ainda tem, ninguém muda nada, ninguém constrói nada. Tinha um mercado grande que era o maior mercado da feira. Tem também aquela festa da vaquejada uma vez por ano parece, que atrai muita gente de fora e mês de junho tem quermesse. Então é assim, uma cidade que não tem novidade. Porque os fazendeiros ricos começaram a ficar pobres ou morreram, os mais novos foram embora pra São Paulo, foram se mudando para outros lugares. Não quiseram comandar as fazendas pra gente. Por isso que Mundo Novo ficou pobre, porque os mais velhos foram morrendo e os herdeiros foram indo embora, seguindo outros rumos. Aí Mundo Novo ficou uma cidadezinha esquecida.


Sendo assim, pude perceber que, de acordo com o Senhor X, a cidade de Mundo Novo era uma cidade basicamente de fazendeiros ricos que certamente abasteciam as cidades circunvizinhas. Por conta de uma grande seca que ocorreu na Bahia, muitos moradores acabaram migrando para outras cidades o que resultou na decadência econômica da cidade. Assim, noto nas palavras do Senhor X, certa frustração com a condição da cidade que, aos poucos foi deixando de ser a cidade que ele conheceu.

A despeito do possível descontentamento do Senhor X, a cidade de Mundo Novo não está tão esquecida assim. É certo que muita coisa mudou, Mundo Novo acompanhou as mudanças sociais, culturais e tecnológicas assim como muitas cidades do interior. Atualmente a cidade conta com quatro instituições de ensino superior, UNEB, UFBA, UFPB e ULBRA. Assim o cidadão mundonovense não precisa mais se deslocar para outras cidades para cursar o nível superior. Seus artistas locais também mostram que a cidade possui muitos talentos como Lucia Borges, Marcos de Oliveira e Rodrigo Nery.
Lucia Borges

Marcos de Oliveira

Rodrigo Nery
fonte das imagens: http://www.mundonovoba.com.br/categoria/arte/
Lucas Parente, cidadão mundonovense que se apresenta como “Advogado metido a músico metido a poeta que quer mudar o mundo plantando árvores” inspirado nas contribuições de seu conterrâneo Dante de Lima escreve as Dez estrofes para Mundo Novo:
A história de uma vida
Não se conta sem paixão
A lembrança do passado
Na letra de uma canção
Reescrevendo a história
Reavivando a memória
Faz bater o coração.


Nossa viajem começa
Dentro do sertão baiano
Quando a seca castigava
Animal e ser humano
O Nordeste em sofrimento
Pedia a Deus um alento
Trinta e três era o ano.


Um grupo de fazendeiros
Pela seca castigado
Buscando em terras distantes
Comida para o seu gado
Adentrou pela Bahia
Cortando a mata bravia
Do interior do Estado.


Nesse grupo de valentes
Um deles merece nota
Liderou a comitiva
Que chegou nessas encostas
Abrindo o mato a facão
Esse homem de visão
Foi José Carlos da Mota.


Os homens acostumados
À severa estiagem
Ficaram maravilhados
Ao ver aquela paisagem
Mata verde florescendo
Chuvas e rios correndo
Parecia uma miragem.


Achou água para o gado
Brotando dos pés do morro
Encontrou uma promessa
De vida para o seu povo
Vendo um rio a escorrer
A esperança renascer
Disse: É um mundo novo!


Começou como fazenda
Que cresceu rapidamente
Pelo seu verde e riqueza
Atraía muita gente
Logo era um povoado
Pelo povo comentado
Sua fama era crescente.


Assim nasceu a cidade
Que quem vê jamais esquece
Deixa saudoso quem parte
Apaixona quem conhece
Sua calma é que seduz
No alto da Santa Cruz
A doce brisa é uma prece.


Uma secreta magia
Que acolhe os visitantes
A alegria do seu povo
A grandeza dos seus montes
E uma certa nostalgia
De que nessa terra um dia
Tudo será como antes.


Aqui termina a canção,
Não a história dessa gente
O seu destino depende
De todos nós, finalmente
Para que ela viva e cresça
Não apenas na promessa
De um futuro reluzente.


PARENTE, Lucas. Inspirado em “Nossa Terra, Nossa Gente”, de Dante de Lima. Disponível em: http://www.mundonovoba.com.br/dez-estrofes-para-mundo-novo/

Dante de Lima, também natural de Mundo Novo e conhecedor de inúmeras historias locais. Formou-se em direito e escreveu diversos livros nos quais relata “causos” e histórias da cidade como afirma Pinheiro:
Lançou três livros em que homenageia Mundo Novo em suas páginas recheadas de fantásticas histórias que nos fazem rir, chorar e aprender um pouco mais com a vida de cada personagem. Entrar em contato com sua obra é conhecer cada palmo da cidade, reconhecendo os tipos humanos, as histórias, a ingenuidade e a força do sertanejo.(PINHEIRO, 2010)

 Lima apresenta neste pequeno trecho os pontos da cidade que valem a pena ser visitados:
Os pontos turísticos de Mundo Novo são a Fazenda Jequitibá, onde estão instalados o Mosteiro e a Fundação Divina Pastora, a uma distância de trinta quilômetros da sede. Também pode ser visitado o único sítio histórico da cidade, o primeiro prédio residencial construído na rua Cel. Francisco Lima, construção estilo colonial do século XIX. Esse imóvel vem seno conservado com todas as suas características originais graças aos esforços pessoais do Prof. José Carlos Aragão, ilustre filho adotivo de Mundo Novo. Também deve ser feita uma visita ao Monte da Santa Cruz, donde se descortina uma visão panorâmica da cidade presépio, bem como uma paisagem paradisíaca das maravilhosas cercanias. No topo desse Monte está erigida a Capela de São Judas Tadeu, inaugurada no dia 3 de maio de 1910.Grandes melhoramentos vêm sendo realizados nesse Monte graças ao espírito dinâmico e devotado de um dos mais ilustres filhos de Mundo Novo, o Prof. Vanderlan Sampaio Araújo.

Visite Mundo Novo. A cidade mãe tem uma alma hospitaleira; seu povo é cordial e afável e você jamais a esquecerá! (LIMA, 2010)

LIMA, Dante de. Histórico da Cidade por Dante de Lima. Disponível em:  http://www.mundonovoba.com.br/historico-da-cidade-por-dante-lima/

PINHEIRO, Wladimir. Dante de Lima. Disponível em: http://www.mundonovoba.com.br/dante-de-lima/

Deste modo, concluo esta pesquisa apresentando um pouco, bem pouco, da cidade de Mundo Novo e seus artistas locais. Destacando alguns aspectos positivos da cidade no intuito de valorizar seu povo e sua cultura que também é meu povo e minha cultura já que sou neta de um morador local, homem trabalhador que ama a terra onde nasceu.

                                                                    FOTOS
Aniversário de 176 anos da Cidade

Cavalgada do Descobrimento

44ª Expo Agropecuária

Praça

II Cavalgada da Amizade do Povoado do Cobé

Entrada de Cidade

Praça do Cruzeiro


6 comentários:

  1. Não conhecia a história da cidade de mundo novo e me encantei. Mais uma coisa que me chamou atenção é a questão da seca que atingiu essa cidade, ela me lembra a seca que atingiu nessa mesma época muitas cidades baianas como santa Barbara, e essas secas nos trazem a memória que assim como mundo novo, muitos habitantes das cidadezinhas acabam indo pras capitais tentando sobreviver.

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    1. Verdade Laís, essa seca atingiu diversas cidades baianas o que resultou num grande êxodo rural.

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  2. Meu avô, Calixto Carlos da Mota, era fazendeiro empobrecido e veio para São Paulo procurar uma vida melhor.

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    1. Oi Paulo, essa é a realidade de muitos que dependem da produção rural. Em períodos difíceis se vêem forçados a migrar para as grandes capitais. Espero que seu avô Calixto tenha conseguido alcançar a melhoria que buscava. Abraços.

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  3. Este texto para mim foi deveras Um Mundo Novo. Interessante perceber captar as impressões de um ancião e ao mesmo tempo trazer o momento mais atual, de uma maneira que faz com que percebamos a valoração particular de cada olhar. O Ancião não errou quando não ver mais aquela terra prospera de antes, e o atual não é melhor por entender que as mudanças do mundo novo acompanha um novo jeito de ser sociedade. Parabéns pelo texto e pesquisa. Matou me sede, mas também me deu mais vontade de beber desta fonte. Excelente isso

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    1. Obrigada Marco, suas impressões revelam o quanto sua alma se inspira com a natureza e a história. Fico feliz em proporcionar essa nova descoberta. Bjos.

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